| Brincadeiras |
| Ao
me deparar com um brinquedo em uma conhecida livraria de São Paulo,
passei a me perguntar o que realmente significa o brincar e que uso as empresas
tem feito deste mecanismo infantil tão importante. O citado brinquedo consiste em um maquinário, mais parecido com um livro em que, com uma calculadora e um cartão de crédito, a criança pode compra coisas e depois lhe é mostrado o valor total da compra. Um brinquedo ótimo talvez para ensinar cálculos, ensinar futuros consumidores a comprar com cartão, mas será que este aparato ajuda as nossas crianças verdadeiramente a brincar? Esta pergunta me fez pensar no que de fato caracteriza o brincar e porque ele deve estar muito distante de comprar com cartões ou brincadeiras de lanchonete e seu palhaço. O que há de mais singular no brincar infantil, e que de forma geral nos torna estrangeiros do mundo da infância, é a capacidade do “faz de conta”. Fazer de conta que se é algo, que se vive algo, fazer de conta…inserção em um mundo mágico que caracteriza o jeito infantil de viver e de pensar. Mágica esta que nós adultos mal lembramos de nossas infâncias e que tende a se perder quando se cresce. O fazer mágico perde-se na vida das tarefas, de compromissos e porque não dizer na vida escolar, pedagógica, onde cada brincadeira, cada atividade tem um fim em si…o fim de aprender algo, um conteúdo, uma lição, uma moral da estória. Não há nada de errado nisso, afinal não somos “Peter-pans” e tão pouco queremos que nossos pequenos o sejam. Contudo, não apressemos o processo e deixemos que por hora nossas crianças brinquem suas brincadeiras mágicas que nada tem haver com cálculos e nem tão pouco com compras de supermercado. Lembrando que aprender brincando, processo pedagógico tão em voga, não significa de forma alguma que devemos ensinar nossas crianças a consumir determinados produtos ou marcas. Ensinar a escrever com logotipos, processo duvidoso de acelerar o alfabetizar, também ensina a comprar. Ficar atento a esta questão permite proteger as crianças de um processo de marketing que não deveria atingi-las e nem tão pouco atrapalhar seu dia-a-dia. Karina Bonalume |