Percepção Corporal
Como Fisioterapeuta, venho desenvolvendo um trabalho de percepção corporal com adultos já há algum tempo e por ser mãe recente de uma filha de um ano e meio quis colocá-la num berçário. Foi quando conheci o Espaço Singular.

Desde então propus à Karina uma atividade com as crianças nesta linha da percepção corporal e então começamos nosso trabalho.

A proposta é que eu pudesse ser uma “facilitadora” do desenvolvimento normal da criança, respeitando sua individualidade, seus limites e estimulando suas possibilidades.

Fiquei totalmente envolvida com o trabalho tendo um cuidado para olhar atentamente cada criança e suas particularidades. Dentro das atividades, que planejei passo a passo.

Procurei observar quais interesses das crianças que “estimulassem” suas experiências com o mundo, com um aprendizado pelas sensações de equilíbrio, já que estão aprendendo a andar. Busquei sensações de novas possibilidades com o corpo e de sensações de exploração com materiais diversos e inusitados.

Para isso explorei coisas simples, como o “saco de surpresas” que contém coisas diversas como bolas de diferentes tamanhos e pesos e que fazem barulho, folhas de papel crepom, conchas ou sementes e até mesmo creme para massagem que trago cada sessão.

Ofereço um “ritual” e as crianças gostam disso, onde apresento o saco de surpresa e depois podemos abri-lo e elas podem pega-lo e experimentar o que tem dentro para explorar. Atualmente quando chego para mais uma sessão, muitos já querem pegar o saco de surpresa.

Dentro das atividades incluo quase sempre uma grande bola para explorar novas sensações com várias possibilidades corporais como a mudanças da gravidade, o desequilíbrio, o pulinho etc., Brinco com eles com uma colcha, que como uma rede elevamos a criança com duas educadoras segurando, com balanceios e várias possibilidades de deslocamentos.

No começo muitas delas ficaram desconfiadas e com medo e no decorrer do tempo foram se abrindo ás experiências e afinal gostando muito.

Lembrando que o processo de andar é um irromper contra a gravidade e requer um enorme esforço em vários sentidos, físico, emocional e cognitivo, simplesmente damos espaço e propomos que a criança crie seu jeito e medida para conseguir conquistar mais esta etapa sem antecipar ou acelerar.

É bom lembrar de deixar a criança descobrir por si só, procurando intervir o mínimo possível e criando situações para suas explorações corporais sempre cuidando da sua segurança é claro.

Procuro desenvolver o ser humano pequenininho no que ele pode e quer dar de si e tem me dado muito prazer em fazer este trabalho no que diz respeito á participação do desenvolvimento das crianças.

Ainda estou só com o grupo Passinho e com o Grupo, aqueles que andam ou estão na eminência de andar. Logo vou me entreter com o grupo Colinho e tenho boas idéias para eles também.

Dúvidas são sempre bem vindas sobre o desenvolvimento das crianças e sobre o trabalho também.

Um abraço a todos
Sandra Sisla